quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

. Possibilidade e origem do conhecimento


Em relação à questão da possibilidade do conhecimento devem registar-se duas respostas gerais, uma positiva e outra negativa. Aos que respondem afirmativamente, isto é, os que defendem que o conhecimento é possível, atribui-se o nome de dogmáticos e à sua posição dogmatismo. Aos que estão convencidos de que o conhecimento não é possível, isto é, que temos boas razões para duvidarmos da nossa capacidade de conhecer, atribui-se o nome de céticos.
A posição cética, ou ceticismo, embora radical, assenta na ideia de que não é possível conhecer porque as nossas justificações requerem sempre outras justificações em que possam basear-se, ad infinitum. Ou seja, os céticos defendem que as nossas justificações, sem o que não há conhecimento, remetem sempre para outras justificações anteriores, sendo que não há uma primeira que possa fundamentar verdadeiramente todas as outras. Trata-se do argumento da regressão infinita e pode ser enunciado da seguinte forma:
1. Se há conhecimento então há crenças justificadas
2. Não há crenças justificadas
3. Logo, não há conhecimento
Trata-se do Modus Tollens que já conheces, mas agora aplicado à questão da possibilidade do conhecimento. Claro que o argumento sofreu refutação, e os filósofos que o fizeram chamam-se fundacionistas. Porquê? É simples, porque estes filósofos, ao contrário dos céticos, estão convencidos que é possível encontrar um primeiro fundamento para as nossas justificações, uma espécie de crença básica, isto é, verdades auto-evidentes que não carecem de justificação anterior e que desse modo podem assegurar uma base segura para os nossos raciocínios. Dito de outro modo: os fundacionistas defendem que o argumento da regressão infinita tem uma premissas falsa - "Toda a justificação se infere de outras crenças" -. Ou seja, os fundacionistas defendem que é necesssário distinguir dois tipos de crença, as básicas e as não básicas. As básicas são uma evidência da razão, autojustificam-se e não são inferenciais (não resultam de uma inferência), resistem à corrosão da dúvida e podem por isso ser fundamentos epistémicos, verdadeiros axiomas a partir dos quais podemos raciocinar validamente. Além das não básicas, ou inferenciais, que resultam de uma inferência e são por isso justificadas por outras crenças.
Dentro do grupo dos fundacionistas, vamos encontrar Descartes e David Hume, os filósofos que estudaremos de seguida e cujas diferenças são em maior número do que as semelhanças. Como veremos, embora ambos defendam que o conhecimento é possível, isto é, que é possível determinar crenças básicas, já o mesmo não podemos dizer em relação à origem desses fundamentos. O primeiro, que a determinada altura recorre ao ceticismo, situa esses fundamentos na razão - a priori -, as ideias inatas de que falaremos, e a sua posição é conhecida por racionalismo ou fundacionismo cartesiano. O segundo defende que esses fundamentos provêm da experiência sensível - a posteriori - e a sua posição, por isso mesmo, é conhecida por empirismo ou fundacionismo clássico.

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